O Casal De Aposentados Que Ganhou 26 Milhões Com Uma Calculadora De Supermercado

Jerry Selbee tinha 64 anos, era formado em matemática pela Western Michigan University e dono de uma lojinha de conveniência em Evart, Michigan, com sua esposa Marge. Em 2003, ele viu um panfleto da nova loteria do estado chamada WinFall.

Jerry leu as regras miúdas no verso e achou um erro que nenhum funcionário da loteria percebeu. A regra era: toda vez que o jackpot chegava a 5 milhões de dólares e ninguém acertava os 6 números, aquele dinheiro não acumulava para a próxima semana. Ele fazia um rolldown, ou seja, era distribuído para quem tinha acertado 3, 4 e 5 números.

Jerry pegou uma calculadora de 2 dólares e fez a conta. Em uma semana normal, a chance de ganhar é péssima. Mas na semana de rolldown, o valor esperado muda completamente. Se você investisse 100 mil dólares em bilhetes naquela semana específica, seu retorno médio seria de 120 a 150 mil dólares. Era uma máquina de imprimir dinheiro legalizada.

Ele testou com 3 mil dólares e ganhou 6 mil. Depois testou com 8 mil e ganhou 15 mil. Chamou Marge e disse: vamos com tudo. Eles fecharam a loja, pegaram as economias de 40 anos e começaram a dirigir 14 horas até Massachusetts, porque lá também tinha a mesma falha na loteria Cash WinFall.

Durante 9 anos, de 2003 a 2012, eles jogaram apenas nas semanas de rolldown. Montaram uma operação: alugaram um quarto de hotel, compraram uma máquina de contar bilhetes, e passavam 10 dias conferindo bilhetes 18 horas por dia. No total, investiram cerca de 17 milhões e lucraram 26 milhões. O estado de Massachusetts sabia de tudo, porque eles eram os maiores compradores, mas deixava, porque eles também pagavam imposto sobre o volume.

A história só acabou quando um jornalista do Boston Globe investigou por que cidades do interior estavam ganhando tanto. A loteria foi fechada no dia seguinte. Jerry e Marge se aposentaram de verdade e hoje vivem com os 6 filhos. A lógica foi: não jogue sempre, jogue apenas quando a regra cria um valor esperado positivo, e tenha banca para aguentar a variância.

Geral

O Homem Que Ganhou 14 Vezes Na Loteria E O FBI Disse: “É Legal”

Stefan Mandel é a prova viva de que loteria pode ser quebrada com lógica. Nascido na Romênia comunista nos anos 60, ele ganhava o equivalente a 100 dólares por mês e passava fome. Como matemático, ele começou a estudar a loteria nacional romena, que era 6/40. Ele não tentava adivinhar números da sorte. Ele criou algo que chamou de condensação combinatória. Funciona assim: para garantir que você acerte 6 números em uma loteria 6/40, você precisaria de 3.838.380 bilhetes. Impossível. Mas Mandel descobriu um algoritmo que reduzia drasticamente esse número garantindo pelo menos 5 acertos. Com isso, ele conseguia reduzir o custo de 3 milhões para poucos milhares de bilhetes, e o prêmio de 5 acertos já era suficiente para ter lucro na Romênia. Ele ganhou o primeiro prêmio e fugiu do país comunista. Foi para Austrália e depois para os EUA. Lá ele fez o golpe supremo. Em 1992, a loteria da Virginia estava com 27 milhões de dólares acumulados. Ele calculou que existiam 7.059.052 combinações possíveis. O custo para comprar todas era 7 milhões. O prêmio era 27 milhões. Era lucro líquido de 20 milhões. O problema era logístico: como imprimir e preencher 7 milhões de bilhetes? Ele criou uma empresa, levantou dinheiro de 2.500 investidores, montou um galpão com 30 computadores e 20 impressoras trabalhando 24 horas por dia durante 3 meses. Comprou todos os bilhetes e ganhou. FBI, CIA e IRS investigaram por 4 anos. Conclusão: ele não fez nada ilegal, apenas usou matemática melhor que o estado. Depois disso, todos os EUA mudaram a regra e proibiram comprar bilhetes em massa com computador. Mas ele já tinha ganho 14 loterias em países diferentes. Hoje vive tranquilo em Vanuatu. A lógica dele foi: só entre no jogo quando o prêmio total é maior que o custo total das combinações, e use redução combinatória para diminuir o investimento.